Autor: Equipe Duvide Primeiro
Última atualização: 25 de agosto de 2026
Revisão editorial: conteúdo educativo baseado em fontes oficiais.
Resposta curta: preserve primeiro os arquivos originais e organize cópias por data. Guarde capturas completas com contexto, links, nomes de usuário, números, e-mails, áudios, comprovantes, identificadores de transação e protocolos. Escreva uma linha do tempo simples separando o que você viu do que suspeita. Não edite o único original nem publique dados pessoais. Depois, registre a ocorrência pela delegacia eletrônica do seu estado ou em uma unidade, conforme o caso.

Prova digital não é só captura de tela. O contexto, origem, data, arquivo original e sequência dos fatos ajudam a avaliar autenticidade. Uma imagem recortada pode perder número, horário e endereço.
A vítima não precisa fazer perícia por conta própria. O objetivo antes do boletim é preservar o que existe e apresentar relato compreensível. Autoridades e profissionais decidirão se precisam de coleta técnica adicional.
Agir rápido não significa apagar ou formatar. Primeiro proteja contas e dinheiro, depois preserve arquivos sem voltar a abrir links perigosos.
Ação rápida: faça nesta ordem
- Não apague. Preserve conversa, arquivo e comprovante.
- Faça capturas completas. Inclua contexto, perfil, data e horário.
- Salve originais. Exporte e copie para local seguro.
- Escreva a linha do tempo. Fatos em ordem, sem adivinhar.
- Registre protocolos. Banco, plataforma, operadora e ocorrência.
O que é uma captura útil
Inclua cabeçalho, número ou usuário, data, horário e mensagens anteriores necessárias para entender a abordagem. Faça várias telas quando a conversa é longa.
Não corte o único arquivo. Se precisar destacar, preserve a versão original e crie uma cópia com marcação.
Como salvar conversas
Use exportação oferecida pelo aplicativo quando disponível e segura. Guarde também capturas, pois formatos exportados podem omitir aparência ou conteúdo.
Não encaminhe a conversa para desconhecido. Armazene em pasta protegida e faça cópia em outro meio.
Links e páginas que podem desaparecer
Copie o endereço sem reabrir e faça captura da página quando isso não aumentar o risco. Registre data e origem da mensagem.
Não use ferramentas duvidosas para arquivar site malicioso. Um profissional pode coletar depois se necessário.
Comprovantes financeiros
Salve comprovante completo, extrato, identificador, chave, beneficiário e protocolo. Oculte dados apenas em cópias públicas.
Separe cada transação. Um resumo único dificulta relacionar pagamento e pedido do golpista.
Áudios, fotos e arquivos
Baixe somente quando seguro e não execute programas. Preserve nome, tamanho e data. Áudios devem ser guardados no formato original quando possível.
Não converta repetidamente. Cada transformação pode retirar metadados ou reduzir qualidade.
Como escrever a linha do tempo
Comece pelo primeiro contato e registre ação, horário e canal. Depois inclua pagamentos, percepção do golpe, bloqueios e protocolos.
Use “não sei” quando não souber. Diferencie “o perfil dizia” de “a pessoa é”. A investigação confirma identidades.
Cópia de segurança e integridade
Mantenha duas cópias em locais separados e controle quem acessa. Nomeie arquivos com data e descrição sem alterar o conteúdo interno.
Não compartilhe senha da pasta. Para caso sensível, procure orientação técnica ou jurídica sobre armazenamento.
Dados pessoais e de terceiros
Uma prova pode conter CPF, endereço, criança, saúde ou conversa privada. Compartilhe somente o necessário com canal competente.
Em cópia pública, oculte dados. Preserve original completo para autoridade ou profissional autorizado.
Antes do boletim
Organize resumo, documento pessoal, linha do tempo e anexos. Delegacias eletrônicas têm campos e limites diferentes; consulte o portal oficial do estado.
Se houver ameaça, violência, extorsão ou risco, procure atendimento presencial ou emergência em vez de esperar organizar tudo.
Depois do boletim
Guarde número, arquivo e comprovante de envio. Complemente quando a autoridade orientar e informe ao banco ou plataforma se solicitado.
Não altere arquivos para “melhorar” o caso. Novos fatos entram como complemento com data.
Como nomear e ordenar os arquivos
Use data em formato ano-mês-dia, tipo e origem: “2026-08-25_comprovante_pix_banco.pdf”. Nomes consistentes facilitam busca sem alterar o conteúdo.
Crie subpastas para conversas, transações, protocolos e documentos. Mantenha um índice em texto com descrição e relação com a linha do tempo.
Metadados: o que são e por que não mexer
Arquivos podem guardar data, dispositivo e outras informações. Conversão, edição ou envio por aplicativo pode remover dados. Por isso, preserve o original antes de criar cópia.
Você não precisa extrair metadados sozinho. Quando forem relevantes, um profissional poderá analisar com ferramenta apropriada e documentar o método.
Hash e perícia: quando fazem sentido
Um hash é resumo matemático usado para verificar se arquivo mudou. Produzi-lo pode ajudar em casos técnicos, mas não é requisito automático para registrar ocorrência.
Se a disputa exige autenticidade rigorosa, procure perito, advogado ou autoridade antes de manipular o aparelho. Não confie em site aleatório que pede upload de prova sensível.
Ata notarial e outras formas de preservação
Ata notarial pode registrar conteúdo observado por tabelião, mas tem custo e não é necessária em todo caso. A decisão depende do risco de desaparecimento e da estratégia jurídica.
Converse com advogado ou Defensoria antes de gastar. Capturas, arquivos originais e protocolos já são úteis e não devem ser abandonados.
Aparelho possivelmente comprometido
Não faça a única cópia no próprio celular. Em equipamento confiável, proteja contas e guarde arquivos já disponíveis. Evite instalar coletor desconhecido.
Se o dispositivo precisa de perícia, não formate nem continue usando para tarefas comuns sem orientação. Desligamento, modo avião ou isolamento dependem do cenário e da segurança.
Como entregar material sem perder o controle
Use canal indicado pela autoridade ou profissional, registre data, destinatário e arquivos enviados. Guarde uma cópia e o protocolo.
Não envie pasta completa quando apenas alguns itens foram solicitados. Minimizar dados protege você e terceiros e facilita a análise.

Como acompanhar sem perder informações
Crie índice com nome do arquivo, data, origem e descrição. Isso facilita localizar sem abrir tudo.
Use uma pasta de trabalho com cópias e mantenha originais somente leitura quando possível.
Registre quem recebeu cada documento e por qual canal. Não espalhe anexos em vários atendimentos sem necessidade.
Atualize a linha do tempo com respostas, bloqueios e novas tentativas, preservando versões anteriores.
Antes de encerrar o caso
Confirme que contas e dinheiro foram protegidos; prova não deve atrasar o bloqueio.
Verifique se há duas cópias e se os arquivos abrem sem modificação.
Guarde ocorrência, protocolos e lista de anexos.
Procure orientação antes de divulgar material sensível ou coletar dados de terceiros.
Guia de revisão final
Crie um arquivo de texto chamado “leia primeiro” com resumo do caso, datas, valores e índice dos anexos. Isso permite que advogado, banco ou autoridade entendam o conjunto sem abrir dezenas de arquivos.
Numere os anexos e cite-os na linha do tempo: “Anexo 03 — comprovante”. A organização não altera a prova; apenas cria uma referência. Preserve nomes e versões originais em subpasta separada.
Registre fuso horário quando o serviço usa hora diferente. Não corrija manualmente uma captura. Explique a diferença na linha do tempo e guarde a configuração do aparelho quando relevante.
Capturas de mensagens temporárias devem incluir o perfil e o contexto. Se a plataforma avisa sobre captura, não tente burlar o aviso. Preserve apenas por meios legítimos e informe a limitação.
Quando uma conversa pertence a outra vítima, peça que ela própria preserve e entregue. Não entre na conta dela nem solicite senha. Uma declaração ou arquivo fornecido voluntariamente pode ser anexado conforme orientação.
Áudios recebidos podem ser transcritos para facilitar leitura, mas mantenha o original. Identifique a transcrição como apoio, sem tratá-la como substituta do arquivo.
Em gravação de ligação, questões legais dependem do contexto. Procure orientação antes de gravar terceiros ou divulgar. Não cometa invasão ou interceptação para tentar provar um golpe.
Se o armazenamento em nuvem estiver comprometido, não envie a única cópia para ele. Use meio confiável e revise compartilhamentos. Criptografia e senha forte podem proteger arquivos sensíveis.
Ao final, faça verificação: originais preservados, duas cópias, índice, linha do tempo, protocolos e ocorrência. Depois, reduza acesso à pasta e mantenha somente pessoas necessárias.
Orientações complementares
Quando os arquivos são numerosos, não comprima e recomprima várias vezes. Guarde uma cópia da pasta original e crie um pacote separado para envio. Verifique se o destinatário aceita o formato e se a transferência concluiu antes de apagar qualquer cópia local.
Se a prova contém criança, saúde, intimidade ou segredo profissional, procure orientação antes de anexar em plataforma comum. A necessidade de demonstrar o fato deve ser equilibrada com privacidade e proteção de terceiros. Um resumo pode ser enviado primeiro, deixando o original para canal restrito.
Não pague serviço de perícia apenas porque alguém afirmou que toda captura é inválida. Capturas, arquivos e protocolos podem ser úteis; a necessidade de laudo depende da controvérsia. Compare identidade, escopo, custo e responsabilidade do profissional antes de contratar.
Após o caso, defina prazo de retenção com orientação adequada. Guardar para sempre em vários dispositivos aumenta exposição. Quando for seguro eliminar cópias, apague de maneira controlada, mantendo o conjunto necessário para garantia, investigação ou processo.
Revise a pasta sem abrir executáveis ou links. Use visualização segura e mantenha o sistema atualizado. A preservação de prova não deve reinfectar o aparelho ou permitir novo acesso. Em dúvida, peça ao técnico que trabalhe sobre cópia isolada.
Se precisar imprimir, confira se QR Codes, links e identificadores continuam legíveis e numere as páginas. A impressão é uma cópia de apoio; mantenha os arquivos digitais originais. Registre quem recebeu o conjunto e preserve o protocolo de entrega.
Para casos longos, faça revisões datadas do índice sem substituir a versão anterior. Assim, novos anexos entram com histórico e fica claro quando cada informação foi descoberta ou recebida. Não mude a numeração antiga; acrescente novos itens ao final e explique correções em nota separada. Guarde uma cópia da versão entregue.
Provas e informações úteis
Uma estrutura simples reduz perda e exposição.
- capturas completas
- exportação de conversas
- URLs e usuários
- áudios e arquivos originais
- comprovantes e extratos
- protocolos
- linha do tempo
- boletim e complementos
Nomeie com data AAAA-MM-DD e descrição, sem renomear o único original quando isso puder eliminar informação útil.
O que não fazer
Não edite o original. Trabalhe sobre cópia.
Não publique comprovante. Ele contém dados e atrai novos golpistas.
Não volte ao link perigoso. Copie o que já tem e peça ajuda.
Não instale coletor desconhecido. Pode comprometer o aparelho.
Não grave ou acesse conta alheia. Preserve somente o que você recebeu ou pode acessar legitimamente.
Quando procurar banco, polícia, advogado ou profissional habilitado
- Banco e plataforma: para bloquear e obter protocolos
- Polícia: para registrar fatos e orientar complementos
- Advogado ou Defensoria: para estratégia, sigilo e apresentação em disputa
- Profissional de perícia ou segurança digital: quando autenticidade, extração técnica ou aparelho comprometido exigem conhecimento especializado
- Profissional de saúde: se o incidente causar sofrimento intenso
Perguntas frequentes
Captura de tela vale como prova?
Pode ser útil, mas contexto e original fortalecem a compreensão; a avaliação depende do caso.
Preciso fazer ata notarial?
Não automaticamente. Um advogado pode avaliar necessidade e custo conforme a disputa.
Posso gravar a tela?
Preserve o que você acessa legitimamente e evite captar dados desnecessários de terceiros.
Devo entregar o celular à polícia?
Siga a orientação da autoridade. Antes de apagar ou formatar, informe que pode conter prova.
Posso editar para ocultar CPF?
Faça cópia ocultada e preserve o original completo em local seguro.
Como provar a data?
Inclua horário do sistema, cabeçalho, arquivo e linha do tempo; profissionais podem avaliar outros elementos.
Checklist antes de entregar as provas
Leve uma cópia organizada, mantenha os originais preservados e anote quais arquivos foram entregues, para quem e em qual data. Não compartilhe a pasta completa em grupos ou redes sociais. Se houver conteúdo íntimo, ameaça, criança, segredo profissional ou grande volume de dados, peça orientação à polícia ou a advogado antes de enviar.
Fontes oficiais consultadas
- Polícia Civil de Minas Gerais — crimes virtuais e preservação.
- Governo Digital — privacidade e segurança.
- CERT.br — Cartilha de Segurança para Internet.
- Ministério da Justiça — Sofri um golpe, e agora?.
Como mantemos este guia atualizado: revisamos links, nomes de serviços e procedimentos quando fontes oficiais publicam mudanças. Se uma tela aparecer diferente, use a orientação mais recente do canal oficial e guarde o protocolo. O conteúdo explica um caminho durável, mas detalhes operacionais podem ser atualizados.
Conteúdo informativo. Não substitui a análise do banco, plataforma, polícia, advogado, Defensoria Pública ou profissional habilitado.

